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Obtenção de matéria pelos seres heterotróficos
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- O blog conta agora com uma nova aparência...espero que gostem!
sábado, 8 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Fluidos circulantes
O sistema circulatório possui vasos onde, no seu interior, circulam fluidos. No sistema circulatório aberto existe apenas um fluido circulante, a hemolinfa e podemo-la considerar como uma espécie de mistura do sangue e da linfa.Estes fluidos (sangue e linfa) no sistema circulatório fechado encontram-se separados, assim sendo, em animais com este tipo de sistema além do sistema circulatório sanguíneo, também apresentam um sistema circulatório linfático. 99% da linfa circula nos vasos - linfa circulante – 1% entra em contacto directo com as células – linfa intersticial – aumentando assim a eficácia das trocas das substâncias. O sangue é formado por uma parte líquida – o plasma – e por elementos figurados – as hemácias, os leucócitos e as plaquetas.
A linfa é formada apenas por plasma e leucócitos. Os fluidos circulantes funcionam como um veículo transportador de diversas substâncias:
- Transporte de nutrientes (pelo plasma);
- Transporte de oxigénio (pelas hemácias);
- Remoção de dióxido de carbono (pelo plasma e em menor quantidade pelas hemácias);
- Transporte de células e anticorpos.
Reflexão: Os fluidos circulantes são veículos de transporte, distribuição e remoção de diversas substâncias. Por exemplo, se nos debruçarmos sobre a linfa verificamos que desempenha um papel importante na eficiência dos sistemas circulatórios fechados , pois nestes o sangue não banha directamente as células. Assim, as células mais próximas dos capilares efectuam trocas rápidas, enquanto que nas mais afastadas o processo decorre lentamente. Deste modo, a linfa ao banhar de forma directa as células amplia a eficácia das trocas sobretudo nas zonas mais afastadas dos capilares, sendo um veículo de transporte de nutrientes e que permite remover os produtos de excreção.
SISTEMA LINFÁTICO
Todas as células do organismo recebem substâncias do meio e eliminam produtos resultantes do seu metabolismo, estando ou não em contacto com meio externo, do qual depende. Este intercâmbio de substâncias é possível graças ao movimento do sangue e da linfa, fluidos extracelulares que fazem parte do meio interno. No organismo humano o sangue não contacta directamente com as células, sendo estas banhadas por um fluido, fluido intersticial ou linfa intersticial, que é um líquido claro e transparente. Os capilares sanguíneos têm uma parede muito fina, o que facilita o intercâmbio de substâncias entre o sangue e o fluido intersticial.
Ao nível dos capilares, na proximidade da arteríola, a pressão sanguínea força o plasma e pequenas moléculas dissolvidas passam através da parede para os tecidos, juntando-se ao fluido intersticial. Este fluido difere do plasma sanguíneo, fundamentalmente pelo facto de conter muito menos proteínas, uma vez que as proteínas, sendo macromoléculas, dificilmente atravessam as paredes dos capilares. Os leucócitos podem também abandonar os capilares sanguíneos, deslizando as células das paredes desses vasos. Forma-se assim esse fluido ou linfa intersticial que banha as células. Durante a circulação sanguínea cerca de 90% do volume do sangue retorna das redes capilares para o coração.
Aproximadamente 10% do fluido que atravessa a parede dos capilares para os tecidos, bem como alguns leucócitos, não regressa directamente ao sangue, juntam-se à linfa intersticial. O excesso deste fluido difunde-se para capilares linfáticos, que existem nos diferentes órgãos entre os vasos sanguíneos, e fazem parte do sistema linfático. Uma vez dentro dos vasos do sistema linfático, o fluido denomina-se: linfa circulante e é igualmente constituída por plasma e leucócitos. Tal como o sangue, a linfa intervém na defesa do organismo através dos leucócitos, que fazem parte da sua constituição.
Sistemas de transporte nos animais
Tal como acontece com as plantas, os animais também necessitam de efectuar trocas com o meio exterior , nomeadamente, de receber oxigénio e nutrientes e eliminar dióxido de carbono e outros materiais decorrentes do processo metabólico. Assim, em todos os animais, as células estão rodeadas por um fluido intersticial, com o qual estabelecem as trocas de materiais. À medida que os animais se tornam mais complexos, os seus sistemas de transporte tornam-se mais especializados.
Os animais mais complexos podem apresentar dois tipos de sistemas de transporte:
Sistemas circulatórios abertos: a hemolinfa abandona os vasos sanguíneos, ocupando o hemocélio.



Os animais mais complexos podem apresentar dois tipos de sistemas de transporte:
Sistemas circulatórios abertos: a hemolinfa abandona os vasos sanguíneos, ocupando o hemocélio.
Sistemas circulatórios fechados: o líquido circulante designa-se sangue e, em condições normais, nunca abandona os vasos sanguíneos. As trocas de substâncias realizam-se entre o sangue dos capilares e a linfa que envolve as células – linfa intersticial. O sangue fornece oxigénio e nutrientes e recebe produtos resultantes do metabolismo celular.

Nos sistemas circulatórios abertos, a hemolinfa tem uma velocidade de circulação menor. Contudo em animais mais complexos e com taxas metabólicas mais elevadas, há necessidade de fornecer com maior rapidez, oxigénio e nutrientes e, por outro lado, remover os produtos tóxicos resultantes do metabolismo. Esta situação e conseguida pelos sistemas circulatórios fechados.
Tipos de circulação
Os sistemas circulatórios fechados podem ser organizados de forma que a circulação seja simples ou dupla, podendo, neste último caso, considerar-se completa ou incompleta.
Circulação simples – o sangue só passa uma vez pelo coração em cada circulação;
Circulação dupla – o sangue passa duas vezes pelo coração em cada circulação, efectuando assim dois trajectos diferentes, permitindo assim que o sangue circule com maior pressão existindo assim um fluxo mais vigoroso de sangue a atingir os tecidos dos diferentes órgãos. Assim podemos compreender dois tipos de circulação: sistémica e pulmonar.
- Circulação dupla completa – Não há mistura de sangue venoso com sangue arterial, ao nível do coração (aves e mamíferos). Coração com quatro cavidades: duas aurículas e dois ventrículos.
- Circulação dupla incompleta – Há mistura parcial de sangue venoso com sangue arterial, ao nível do ventrículo (Anfíbios). Coração com duas cavidades: duas aurículas e um ventrículo.

Reflexão:
Todos os seres vivos necessitam de realizar trocas de substâncias com o meio envolvente, esta é uma das condições fundamentais à manutenção da vida, estas trocas são asseguradas pelos sistemas de transporte. Nesta postagem, estão confrontados alguns deles. Assim podemos afirmar que: nos peixes, a pressão sanguínea nos vasos que se dirigem para os tecidos é mais baixa do que nos outros vertebrados. Dado que nos peixes, os vasos que se dirigem para os tecidos vêm das brânquias (e não passam novamente pelo coração), contrariamente aos outros vertebrados, em que o sangue proveniente dos pulmões, passa pelo coração para ser bombeado com maior pressão para os tecidos, então a oxigenação deles é pouco eficiente.
O coração humano
No homem, a circulação é feita através de um sistema fechado de vasos sanguíneos, cujo centro funcional é o coração. Este órgão vital do corpo humano, muscular, bombeia o sangue permitindo a sua circulação pelo resto do corpo, através de veias e de artérias, apresentando uma forma cónica ou de pirâmide triangular, castanho-avermelhado com quatro cavidades.
Divisão do coração
O coração é dividido por um septo vertical em duas metades. Cada metade é formada por duas câmaras: uma aurícula e um ventrículo . Entre cada câmara há uma válvula, a tricúspide do lado direito, e a bicúspide do lado esquerdo. Estas válvulas abrem-se em direcção dos ventrículos, durante a contracção das aurículas. Na aurícula direita chegam as veias cava superior e inferior, e na aurícula esquerda, as quatro veias pulmonares. Do ventrículo direito sai a artéria pulmonar e do ventrículo esquerdo sai a artéria aorta.

Estrutura e funções
A actividade do coração consiste na alternância da contracção (sístole) e do relaxamento (diástole) das paredes musculares das aurículas e ventrículos. Durante o período de relaxamento, o sangue flui das veias para as aurículas, dilatando-as de forma gradual. Ao final deste período, as paredes contraem-se e impulsionam todo o seu conteúdo para os ventrículos. À sístole ventricular segue-se imediatamente a sístole auricular. A contracção ventricular é mais lenta e mais energética. As cavidades ventriculares esvaziam-se quase que por completo em cada sístole, depois, o coração fica em um completo repouso durante um breve espaço de tempo. A frequência cardíaca normal é de 72 batimentos por minuto, em situação de repouso. Para evitar que o sangue, impulsionado pelos ventrículos durante a sístole, reflua durante a diástole, há válvulas localizadas junto aos orifícios de abertura da artéria aorta e da artéria pulmonar, chamadas válvulas semilunares. Outras válvulas que impedem o refluxo do sangue são a válvula tricúspide, situada entre a aurícula e o ventrículo direito, e a válvula bicúspide ou mitral, entre a aurícula e o ventrículo esquerdo.
Reflexão:Tal como os mamíferos e aves, o homem tem um sistema circulatório fechado, e uma vez que o seu sangue percorre dois trajectos diferentes (passa duas vezes pelo coração) e não se verifica a mistura do sangue arterial com venoso, dizemos que ocorre uma circulação dupla e completa. Este é o sistema circulatório mais eficaz no fornecimento de energia às células, que, assim, podem produzir mais energia e libertar mais calor corporal, que mantém temperatura destes seres constante.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Obtenção matéria seres autotróficos - autotrofia
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Exercícios interactivos: Autotrofia 1 | Autotrofia 2 | Ficha Autotrofia
Alguma dúvida ou sugestão, deixem um comentário...
Os seres autotróficos são seres capazes de produzir compostos orgânicos a partir de substâncias minerais, utilizando uma fonte externa. Existem dois tipos de seres autotróficos: os fotoautotróficos (cianobactérias, algas e plantas) que utilizam a energia luminosa como fonte de energia; e os quimioautotróficos (bactérias ferrosas, sulfurosas e nitrificantes) , que utilizam como fonte de energia a energia resultante da oxidação de determinados compostos químicos como o H2S, CO2 2 NO3.
A FOTOSSÍNTESE é o processo autotrófico mais conhecido e também o principal meio de obtenção de matéria pelos seres autotróficos, sendo utilizado por cianobactérias, algas e plantas (seres fotoautotróficos). A partir de energia luminosa, dióxido de carbono e água, estes seres produzem compostos orgânicos a partir de compostos inorgânicos existentes no solo. Nas células fotossintéticas de algas e plantas a fotossíntese processa-se em organelos especializados denominados de cloroplastos. Nas cianobactérias ocorre em membranas fotossintéticas. O Cloroplasto é um organito celular constituído por uma membrana externa, e uma membrana interna. A membrana externa é lisa, enquanto a interna é composta por várias dobras voltadas para o interior do cloroplasto, formando os tilacóides. estes encontram-se empilhados formando um granum (plural: grana). O espaço externo aos tilacóides no interior do cloroplasto é o estroma. Os seres fotossintéticos são capazes de sintetizar pigmentos fotossintéticos (clorofilas ou carotenóides) que captam a energia luminosa.
Estes pigmentos são capazes de absorver luz com comprimentos de onda entre os 400 a 500nm e os 600 a 700nm (nm = nanómetros). A absorção é feita entre estes valores intermédios, pois comprimentos de onda com valores mais elevados provocam danos nas células.
Actualmente admite-se que a fotossíntese compreende duas fases sucessivas, estritamente ligadas:
- Fase Fotoquímica, cujas reacções (reacções fotoquímicas) dependem directam. da luz;
- Fase Química, cujas reacções não dependente directamente da luz.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A Biosfera - Dinâmica dos ecossitemas
O que é a Biosfera?
A biosfera constitui um sistema global que inclui toda a vida na Terra, o ambiente onde essa vida se desenrola e as relações que estabelecem entre si. A Biosfera é o conjunto de todos os Ecossistemas da Terra.
1. Organização dos sistemas biológicos
Pode-se esquematizar a hierarquia na biosfera do seguinte modo:Átomo – Molécula – Célula – Tecido – Órgão – Sistema de órgãos – Organismo – População – Comunidade – Ecossistema – Biosfera.
Espécie – Seres vivos idênticos capazes de gerar descendentes férteis. Populações – seres vivos pertencentes a mesma espécie e que habitam numa determinada área. Comunidades – indivíduos de espécies diferentes que habitam na mesma área e estabelecem relações entre si. Ecossistema – conjunto da comunidade (ou biocenose), do ambiente e das relações que se estabelecem entre si.
O que é um ecossistema?
Um ecossistema incliu Factores Abióticos (luz, água, solo, temperatura,gelo, ...) + Factores Bióticos (Seres vivos). Um ecossistema designa o conjunto formado por todas as comunidades que vivem e interagem em determinada região e pelos factores abióticos que actuam sobre essas comunidades. A dinâmica dos ecossistemas envolve dois processos:
- - Circulação de matéria
- - Circulação de energia (dispersa-se sob a forma de calor)
Os seres vivos estabelecem relações alimentares. As cadeias alimentares interrelacionam-se, originando as teias alimentares.
- - Produtores – são autotróficos, seres vivos capazes de elaborar matéria orgânica a partir de matéria inorgânica ou mineral, utilizando para isso, uma fonte de energia externa (ex:emplos: plantas, algas, etc)
- - Consumidores – são heterotróficos, seres vivos incapazes de produzir compostos orgânicos a partir de composto inorgânicos e, por isso, alimentam-se directa ou indirectamente da matéria elaborada pelos produtores (ex: zooplâncton, herbívoros e carnívoros)
- - Decompositores – São seres vivos que decompõem a matéria orgânica em inorgânica /matéria mineral para obter energia (exemplo: bactérias, fungos).
Que causas contribuem para a extinção das espécies?
- - Destruição ou alteração do habitat
- - Introdução de novas espécies em áreas geográficas onde não existiam
- - Ruptura das cadeias alimentares
- - Sobrexploração de espécies, por colheita, caça ou pesca
- - Alterações climáticas
- - Interrupção de relações de mutualismo
- - Desflorestação
- - Poluição, etc.
Quais as medidas a seguir para a preservação das espécies?
- - Criar zonas protegidas
- - Educar e informar a população humana, especialmente jovens sobre a necessidade de proteger os habitats e espécies
- - Recuperação das áreas degradadas, etc.
- - Definir as utilizações dos habitats que possam dar maior beneficio ao Homem sem os destruir
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Sismo arrasa capital do Haiti...
... a Terra continua a demonstrar que é um planeta geologicamente activo.
Para saber mais:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1468271
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1468743
Sismo arrasa capital do Haiti...
Um sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter atingiu, ontem (12.01.2010), o Haiti. O epicentro do terramoto registou-se em Pentionville, a 15 quilómetros da capital, Port-au-Prince. Segundo relatos de observadores, o sismo terá provocado uma catástrofe, com milhares de vítimas.
O maior abalo ocorreu às 17.53 horas locais (22.53 horas em Portugal Continental) e durou mais de meio minuto. Sete minutos depois verificou-se uma réplica, de 5.9 de magnitude, e passados 12 minutos, uma segunda réplica, de 5.5 de magnitude, ambas com epicentro a 60 quilómetros da capital.
Na sequência dos sismos, registados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos como os mais fortes de sempre na região, o Centro de Alerta de Tsunamis do Oceano Pacífico emitiu um alerta de tsunami para o Haiti e para os países vizinhos, Cuba, Bahamas e República Dominicana. Duas horas depois, o alerta foi levantado.
Para saber mais:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1468743
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Sismologia e estrutura interna da Geosfera
Contributos da sismologia
Para os primeiros estudos da estrutura interna da Terra contribuíram os grandes sismos, que permitiram estabelecer, entre 1906 e 1936, um modelo em camadas concêntricas - crusta, manto e núcleo. Mais tarde, as ondas sísmicas geradas por ensaios nucleares, pelas bombas atómicas e por microssismos criados artificialmente precisaram a estrutura deste modelo, dado permitirem conhecer, com rigor, o foco e a quantidade de energia libertada.
Estudos de 1906 - Oldham
Em 1906, Oldham verificou que as ondas P, registadas no pólo oposto ao epicentro de um sismo, se encontravam atrasadas em comparação com as registadas nas proximidades do epicentro, propagando-se a 4,5 km/s em vez dos 6,5 km/s habitualmente observáveis.
O que atrasaria, então, no interior da Terra, a propagação das ondas P?
Oldham avançou com a hipótese de que "as ondas, penetrando a grande profundidade, atravessam um núcleo central composto por uma matéria diferente que as transmite com menor velocidade". Admitiu-se, assim, pela primeira vez, a existência de um núcleo, assinalado por uma descontinuidade no interior da geosfera, isto é, por uma mudança radical nas propriedades e na composição dos elementos que constituem o seu interior.
Modelo de Gutenberg
Sete anos mais tarde, o alemão Gutenberg localizou em profundidade esta superfície de descontinuidade, ao observar que, para cada sismo existe um sector da superfície terrestre onde é impossível registar ondas sísmicas directas, isto é, ondas com origem no foco e que atingem a superfície da geosfera sem sofrerem reflexões nem refracções.
Durante a sua propagação, a partir do foco sísmico e no contacto com um novo meio, uma onda sísmica directa pode recuar no meio inicial, ocorrendo uma reflexão, ou ser transmitida para um segundo meio, ocorrendo uma refracção.
Assim, podemos definir três formas de desenvolvimento de uma onda sísmica:
- onda directa - é a onda inicial, com origem no foco sísmico e que não interage com nenhuma superfície de descontinuidade, não sofrendo, por isso, reflexões nem refracções;
- onda reflectida - é uma nova onda que se propaga, a partir de uma superfície de descontinuidade, em sentido contrário e no mesmo meio em que a onda inicial se estava a propagar;
- onda refractada - é a onda transmitida, por uma superfície de descontinuidade, para o segundo meio.
Esta faixa da superfície terrestre, onde não se propagam ondas sísmicas internas directas, designa-se zona de sombra sísmica. Gutenberg determinou que a distância angular desta zona ao epicentro é constante, situando--se entre os 103° e os 142°. Fazendo a conversão da distância angular em distância quilométrica (1° = 111,25 km), sobre a superfície terrestre, a zona de sombra situa-se entre os 11 459 km e os 15 798 km de distância do epicentro.
Nesta zona, onde não se propagam ondas P e S directas, a actividade sísmica é mínima. Mas, como explicar, para cada sismo, a existência de uma zona de sombra? A análise comparada de séries de sismogramas de diferentes estações sismográficas permitiu a Gutenberg calcular a profundidade desta descontinuidade - à época, 2900 km; contudo, este valor já sofreu alterações localizando-se, actualmente, nos 2891 km de profundidade. Por este facto, a esta fronteira que assinala o início do núcleo dá-se o nome de descontinuidade de Gutenberg .
Zona de sombra e descontinuidade de Gutenberg.
Numa superfície de descontinuidade, que assinala a separação entre dois meios com propriedades elásticas distintas - rigidez, densidade e incompressibilidade, as refracções e reflexões das ondas que nela incidem ocorrem segundo ângulos determinados, originando zonas de sombra sísmica. Assim, a existência de uma zona de sombra para cada sismo é consequência das propriedades elásticas dos materiais que constituem o núcleo, bem como da sua dimensão.
Descontinuidade de Lehmann
Em 1936, a dinamarquesa Inge Lehmann deu mais um contributo para o conhecimento do núcleo. Analisando registos sismográficos, Lehmann concluiu que as ondas P chocam contra "qualquer coisa dura" a 5150 km, uma vez que se verifica um aumento da velocidade de propagação destas ondas. Tendo em conta que a velocidade das ondas P é maior em meios sólidos do que em meios líquidos, é de supor a existência de um núcleo interno no estado sólido. À fronteira entre o núcleo externo fluido e o núcleo interno sólido dá-se o nome de descontinuidade de Lehmann.
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Conhecida a estrutura do núcleo, falta agora identificar a sua composição. Baseados na hipótese do núcleo ser constituído predominantemente por ferro - como a existência da magnetosfera o indicia -, estudos realizados em laboratório permitiram estabelecer uma relação entre a velocidade de propagação das ondas sísmicas e a densidade de diferentes metais. Assim, foi possível inferir para o centro da Terra uma composição, essencialmente, de ferro e níquel, dado serem os elementos metálicos que apresentam densidades mais próximas das avaliadas sismologicamente.
Os dados da sismologia e a existência da crusta e do manto
Descontinuidade de Moho
A constatação de alterações na trajectória e na velocidade de propagação das ondas sísmicas P e S permitiu inferir a existência de outras camadas no interior da Terra, para além do núcleo.Em 1909, Andrija Mohorovicic constatou, ao analisar os registos sismográficos do sismo que em Outubro desse ano ocorreu a sul de Zagreb, na actual Croácia, que as estações sismográficas mais próximas do epicentro registavam a chegada de dois conjuntos de ondas P e S. Para explicar as suas observações, Mohorovicic propôs a existência de uma descontinuidade a separar um meio superficial, no qual as ondas se deslocam com menor velocidade - a crusta -, de um meio mais profundo, onde a velocidade das ondas é maior - o manto. O registo dos dois grupos distintos de ondas P e S era, assim, consequência, da refracção das ondas nesta descontinuidade - o primeiro grupo de ondas P e S correspondia a ondas refractadas e o segundo a ondas directas. A esta separação, crusta-manto, dá-se o nome de descontinuidade de Mohorovicic ou, abreviadamente, Moho.
A espessura da crusta não é constante, variando entre os 5 km e os 10 km sob os oceanos, e entre os 20 km até aos 70 km sob os continentes, sendo os valores mais elevados atingidos nas grandes cadeias montanhosas continentais. Em média, atribui-se à crusta uma espessura de 19 km.
Para o conhecimento da composição da crusta contribuíram, para além dos dados sísmicos indirectos, a observação de rochas da superfície terrestre, os estudos realizados em explorações mineiras, bem como a realização de sondagens com recolha de amostras de rochas.
A constatação de que existe uma diferença entre a velocidade de propagação das ondas P nos oceanos (em média, 7 km/s) e nos continentes (em média, 6 km/s) permite considerar a crusta subdividida em dois tipos - crusta continental e crusta oceânica. Esta variação da velocidade ao longo da crusta deve-se à variação da sua composição - a crusta continental é constituída, essencialmente, por rochas graníticas (ricas em silício e alumínio), enquanto que a oceânica é constituída, essencialmente, por rochas basálticas (ricas em silício e em magnésio). Os dados vulcanológicos, contribuem para a dedução do tipo de rochas que constituem o manto. No entanto, a velocidade das ondas P abaixo da Moho, da ordem dos 8 km/s, sugere uma composição diferente da da crusta.
Assim, com base num critério composicional, inferido pela análise de dados da sismologia, surgiu um modelo para a estrutura interna da geosfera, que a subdivide em:
- crusta (oceânica e continental);
- manto;
- núcleo externo;
- núcleo interno.
Os dados da sismologia e a estrutura do manto
O gráfico da velocidade das ondas internas permite verificar que, no interior do manto, a uma profundidade, sensivelmente, de 660 km, a velocidade de propagação das ondas P e S sofre um ligeiro aumento, sugerindo um aumento de rigidez, facto que justifica a sua divisão em manto superior e manto inferior. Contrariamente, verifica-se que, sensivelmente, entre os 220 km e os 410 km de profundidade, ao nível, portanto, do manto superior, a velocidade de propagação destas ondas diminui, sugerindo que o material rochoso se encontra num estado de menor rigidez, admitindo-se mesmo que se encontre num estado próximo da fusão e, pontualmente, em fusão parcial.
À semelhança do ferrador que, para fazer uma ferradura, precisa de submeter uma barra de ferro ao rubro, também no interior da Terra, devido à combinação pressão-temperatura, as rochas podem ser moldadas e deformadas no estado sólido, devido a uma diminuição da sua rigidez e, eventualmente, a uma incipiente fusão.
Esta faixa de baixa velocidade das ondas sísmicas internas designa-se astenosfera e corresponde a uma variação das propriedades das rochas que constituem esta zona e não a uma variação da sua composição; as rochas da astenosfera têm menor rigidez do que as rochas que se situam por cima e abaixo dela. A existência da astenosfera, dotada de alguma mobilidade devido à sua fluidez parcial, permite considerar o conjunto de rochas suprajacentes, isto é, as rochas dacrusta e de parte do manto superior, como uma unidade rígida a que se dá o nome de litosfera. As placas tectónicas são também designadas placas litosféricas, dado serem, efectivamente, fragmentos da litosfera. Assim, e complementarmente ao modelo que subdivide a geosfera em crusta, manto e núcleo, existe um modelo físico que subdivide a geosfera em quatro camadas, com base na rigidez dos seus materiais:
- a litosfera, rígida e de comportamento frágil, isto é, quebradiço;
- a astenosfera, de baixa rigidez e de comportamento plástico, isto é, moldável/deformável;
- a mesosfera, rígida;
- a endosfera, externamente fluida e de elevada rigidez no seu interior.
As alterações na trajectória e na velocidade de propagação das ondas P e S sugerem urna heterogeneidade na composição do interior da geosfera, com variações ao nível da rigidez, da incompressibilidade e da densidade dos materiais que a constituem. Por sua vez, variações bruscas na velocidade das ondas P e S permitem inferir a existência de descontinuidades, isto é, de mudança nas propriedades e na composição dos materiais que constituem o interior da geosfera.

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